10 árvores autóctones de Portugal
10 árvores autóctones de Portugal

Muitas plantas autóctones, em Portugal, encontram-se ameaçadas, devido à perda de habitat causado pela urbanização, agricultura intensiva ou incêndios florestais.
É essencial tomar medidas para a preservação destas plantas, vitais para a saúde dos ecossistemas e para a biodiversidade do país.
Conheça 10 plantas autóctones em Portugal:
Alfarrobeira - Ceratonia siliqua
Esta espécie pode ser encontrada em maior número no sul de Portugal, principalmente na zona algarvia. É uma espécie arbórea leguminosa da família Fabaceae. Também chamada de alfarrobeira-de-burro; alfarrobeira-canela; figueira do egiro (br).
A polpa dos frutos fescos são laxantesq . A sua farinha tem propriedades especiais que absorvem as toxinas do tubo digestivo. A goma de alfarroba, devido ao aumento de volume por absorção de líquidos proporciona a sensação de saciedade e tira o apetite.
A alfarrobeira é uma árvore de folhas perenes conhecida por ter vagens comestíveis. é uma árvore de folha perene, de até 10 metros de altura, da família das leguminosas. Dá frutos de vagem castanha escura, que contêm sementes duras (entre 12 a 16), de sabor doce. Podem ser utilizadas as sementes e os frutos (alfarrobas).
É cultivada em diversas partes do mundo devido aos seus múltiplos usos, com fins medicinais, madeira resistente e ser usado na produção de doces por ter um sabor semelhante ao chocolate.
Atualmente, a sua farinha também é usada para fazer pão de alfarroba, pois é naturalmente pobre em gordura, é rica em fibras e não contém glúten.
Aveleira - Corylus avellana
Também conhecida por avelãzeira ou avelaneira, pode ser encontrada, habitualmente, no norte e centro de Portugal. Considera-se uma espécie nativa da Europa e que cresce abundantemente em Portugal, especialmente nas regiões montanhosas do norte do país.
Do mesmoo modo, também cresce espontaneamente nas regiões montanhosas da Europa e da América do Norte.
É um arbusto da família das Betuláceas, que pode crescer até 8 m de altura. Apresenta troncos ou rebentos múltiplos que partem de uma cepa comum. As folhas são dentadas e são uma bela floração, dando origem às avelãs. As avelãs crescem, envoltas numa casca verde e espinhosa, que abre quando está madura. São ricas em gorduras saudáveis, proteínas, fibras, vitaminas e minerais e, por isso, um ótimo lanche.
Estas são apreciadas em várias receitas culinárias e usadas na confeitaria, chocolates e óleos. São, culturalmente, um fruto importante na culinária tradicional portuguesa, pois é um ingrediente muito usado na confeção de doces e bolos.
Além disso, a madeira da aveleira é valorizada na marcenaria.
Azevinho - Ilex aquifolium
É uma espécie protegida ao abrigo do Decreto-Lei 423/89 de 4 de Dezembro, com folha persistente, podendo atingir mais de 15 metros de altura.
Também conhecido por pica-folha; azevinho-espinhoso ou zebro. São comuns em bosques frondosos, como soutos em toda a Europa e bas regiões montanhgosas da América do Norte e do Sul. Cultivam-se para fins ornamentais.
O azevinho é um arbisto de 1 a 5 metros de altura, da família das Aquifoláceas. Tem folhas perenas, de cor verde escuro, duras e rodeadas de espinhos. As flores, pequenas, nascem bracas e rosadas.
Dá uns frutos vermelhos, amarelos ou alaranjados redondos que são tóxicos. Provoca mfortes náuseas, víomitos e diarreias. As crianças são particularmente suscetíveis de intoxicar-se com estas bagas.
É uma das árvores mais cultivadas em Portugal continental e usada para ornamentação no Natal.
Buxo ou olho-de-gato – Buxus sempervirens
É uma planta nativa da Europa, podendo ser facilmente encontrada em todo o país. Tem folha persistente e as flores são amareladas, florescendo entre março e abril. É usado, habitualmente, em sebes podendo chegar aos 10 metros. Também conhecido como como buxo buxinho, buxo-arbóreo, buxo-comum e olho-de-gato.
É uma planta resistente, que muita durabilidade, mas com crescimento lento. As suas folhas são persistentes, de forma oval. Na primavera, florescem pequenas flores amarelas-esverdeadas.
Em Portugal, predomina em Trás-os-Montes e crescre, naturalmente, em matagais e vales. Cresce facilmente em áreas frescas e combrias.
É muito usado para fins decorativos, predileto de muitos jardineiros para topiaria - usam o buxo para podar em formas ornamentais, tal como pode constatar no Jardim Botânico da Ajuda.
A sua madeira é dura, característica que permite ser torneada com talhada para fazer instrumentos artesanais, como a gaita-de-foles.
O Buxo utilizava-se noutras épocas para combater as febres do paludismo. Atualmente, o seu uso medicinal caiu em desuso, devido à sua toxicidade.
Todas as partes da planta são venenosas.
Carvalho-cerquinho, carvalho-português – Quercus faginae
Esta espécie da família Fagaceae,é muito comum no noroeste montanhoso, centro e sudoeste de Portugal. Está distribuído principalmente pelos bosques, na Serra da Arrábida, Serra de Sintra, Serra de Aire e Candeeiros ou Serra de Montejunto.
As árvores da família Quercus são árvores originárias da Europa, existindo mais de 600 espécies de carvalho, distribuídas por todo o mundo.
É uma árvore grande com folhas marcescentes, com copa larga arredondada e folhagem robusta que produz a bolota, alimento de vários animais como o javali e o esquilo. O tronco é grosso e maciço, podendo atingir os 20 metros de altura. As folhas são lobuladas, de cor verde escuro. As bolotas, que são os seus frutos, nascem de longos pecíolos pendentes dos ramos.
É uma das espécies de carvalhos com maior longevidade, que se dá bem em solos fºérteis e climas húmidos e oceânicos.
O carvalho é usado para construção, principalmente de vigas e pavimentos ou contrução de pipas e barris. Antigamente, a madeira do carvalho era usada para a construção de caravelas e naus.
Loureiro – Laurus nobilis
O Loureiro, também denominado, loureiro-comum; loureiro-de-apolo; loureiro-dos-poetas ou louro é originário dos países mediterrâneos.
É um arbusto ou uma pequena árvore que pode atingir 10 metros de altura, da família Lauraceae. tem folha perene, lanceoladas, bruilhantes pela face superior e baças pela inferior. As flores são pequenas, brancas ou amareladas. Os frutos são bagas pretas semelhantes a pequenas azeitonas , produzidas apenas pelos loureiros fêmeas.
É usado como especiaria; as suas folhas aromáticas são utilizadas na confecção de molhos e como tempero e a madeira era usada queimada para o fumeiro.
Curiosidade:
Segundo uma tradição romana, o loureiro nunca pode ser sacudido pelos raios e, por isso, quem se colocar debaixo das suas folhas está a salvo das intempéries da natureza.
O Loureiro era consagrado ao deus Apolo, deus dos triunfos e da medicina e, talvez por isso, oS imperadores romanos eram coroados com uma coroda de louros.
Medronheiro, ervedeiro – Arbutus unedo
O Medronheiro também é conhecido por ervedo, êrvodo, ervedeiro e no Brasil como árvore-de-morangos.
O medronheiro é uma espécie de pequena árvore ou arbusto frutífera que pertence à família Ericales ou Ericáceas. Tem folha perene e as suas flores são brancas ou verdes, com forma de guizo que se apresentam em cachos. O fruto é uma baga vermelha, quando fica maduro.
Está distribuída por todo o país, mas em maior número no sul. É uma planta de crescimento lento, com folha persistente e pode viver quase 200 anos.
O seu fruto é uma pequena baga, vermelhos-alaranjados usados na produção de aguardente, um produto regional do algarve.
Precauções: Os frutos maduros do medronheiro podem atingir 0,5% de grau alcoólico, já que o processo de fermentação se pode iniciar na própria árvore. É, por isso, que não se deve consumir mais que um punhado de medronhos por dia.
Curiosidades:
O medronho, figura no brasão de Msdrid como símbolo da capital espanhola (tal como o urso). Já era conhecido no século I, por Dioscórides e pelo naturalista Plínio, que se referia ao fruto como “unum edo”, que significa “eu como um”.
Ulmeiro, Olmo, Negrilho – Ulmus minor
O Ulmeiro, também denominado como ulmo, lamegueiro, mosqueiro, negrilho ou avelaneira-brava é uma espécie da família Ulmaceae, usualmente surge nas proximidades de cursos de água, ribeiras ou vales.
É comum encontar-se nos vales frescos e perto de cursos de água em toda a Europa, e muito culgar em toda a Península Ibérica. Em Portugal, o ulmeiro que predomina é o “ULmus minor”.
É uma planta de grande porte, de tronco rugoso e folhas ovaladas e de bordo dentado. Podem chegar aos 30 metros de altura.
A folha é caduca, com uma copa ampla. Os frutos têm umas lâminas en forma de asa e crescem em ramalhetes. A sua madeira é muito resistente e fácil de polir, por isso é usada em carpintaria, pavimentos e na construção naval.
Pode viver até 600 anos.
As virtudes medicinais do Ulmeiro são conhecidas desde a antiguidade, principalmente da sua casca que possui propriedades adstringentes e emolientes, que desinflamam e suavizam a pele e mucosas.
Oliveira – Olea europea
É uma espécie nativa em Portugal, da família Oleaceae. É denominada de oliveira, azeitoneira, zambujeiro (variedade silvestre).
É uma árvore de pequeno porte, tem tronco grosso e retorcido, com fohas elípticas de bordo liso e cor verde acinzentada. São folhaspersistentes. As flores são pequenas, esbranquiçadas. O fruto é a azeitona, usadas para fazer azeitonas.
É uma planta com uma enorme longevidade, estimando-se que haja oliveiras com mais de 2850 anos.
Cresce tanto cultivada como silvestre por todos os países mediterrâneos.Foram os árabes que impulsionaram o cultivo desta árvore, quando se deu a conquista da Península Ibérica.
Em Portugal, a oliveira está espalhada por todo o país havendo maior concentração em Trás-os-Montes, Beira Interior e Alentejo.
As azeitonas comem-se como aperitivo, na salada ou durante a refeição. O azeite é utilizada para tempero ou para cozinhar. O azeite contiua a ser a gordura mais importante da dieta mediterrânea.
Sobreiro, Chaparro – Quercus Suber
O sobreiro, de nome cientifíco Quercus suber, parente do carvalho, é uma das árvores que predomina em Portugal, nomeadamente no Alentejo e no barlavento algarvio.
É do sobreiro que se extrai a cortiça, usada para a produção de rolhas, isolantes térmicos ou tecidos de cortiça. Em geral, a extração da cortiça não prejudica a árvore, já que, esta volta a produzir a camada de casca a cada 9 anos. Um sobreiro pode viver cerca de 200 anos.
Portugal é o maior produtor mundial de cortiça, tendo uma área de sobreiro com mais de 737 000 Ha. A cortiça é usada para fabricar isolantes térmicos, materiais da indústria aeronáutica e automóvel, tecidos de cortiça para vestuário e acessórios e para produção de rolhas para engarrafamento de vinho.
Em 2011, a assembleia da República declarou o Sobreiro como “árvore nacional”.
